Eduardo Ribeiro, 5, 13 de agosto de 2010
Numa sexta-feira, 13…

Cheguei a fazer uns quadrinhos do Prisão de ventre, paródia do Prison Break, e posto aqui, a seguir, algumas delas:



Prisão de Ventre
Capítulo 2 – Uns negões te perseguem
Desolado, Báiquel não sabia o que fazer. Desesperar-se não adiantaria. Rumou depressa em direção ao banheiro, só queria chorar, desabafar, mas, desistiu ao olhar pela porta do banheiro uns negões pelados. — Meus Zeus! — Gritou o pobre, espantado. — É verdade o que dizem. — Sussurrou.
Báiquel havia estudado os papéis sujos de fezes que encontrou no lixo da prisão, começou a caminhar pelo pátio e começava a identificar os prisioneiros que havia lido a ficha, a maioria não o poderia ajudar, mas, alguns sem dúvida poderiam ser de grande valia para ajudar a sair daquela situação. Precisava buscar informações a respeito de seu irmão. Não sabia onde o encontrar, ele sentia que estava ali, mas não sabia exatamente onde. A única alternativa era pedir ajuda, se enturmar com algum grupo o mais rápido possível.
— Mas, quem? — Perguntou a si. Os negões não o aceitariam, Báiquel não era tão bronzeadinho, talvez se pegasse um sol, mas, isso demoraria. Báiquel precisava de se identificar com alguém, precisava criar elos, e já sabia como, sabia quem era mais maleável, ou imaginava saber.
Focou num velho senhor, de toca, em meio ao calor insuportável de São Miguel Paulista, na hora do “intervalo criminal”. Existia uma lenda em torno do nome do velho, de que havia roubado um pára-quedas e que sabia saltar com ele, mas, ninguém nunca provou.
— Eu sei quem é você, velho. — Disse, em voz baixa Báiquel, ao sentar-se ao lado do velho em uma pequena arquibancada de madeira.
— Muitos dizem que sabem que sou eu, mas, a verdade é yo no sé quién soy yo.
— Então você é um louco que não se lembra de nada? E aquela história de que enterrou um pára-quedas debaixo de um celeiro, hein?
— Ora, bolas, seu maluco! Por que motivo eu iria enterrar um pára-quedas debaixo de um celeiro?
— Você é louco, não?!
— Bem argumentado, meu rapaz. A verdade é que eu era piloto de kart, mas, parei depois do acidente.
— Você se acidentou?
— Sim, infelizmente, eu perdi um órgão importante numa batida de kart… Foi uma história triste. Eu, no auge de minha vida, resolvi me aparecer para os brotinhos na platéia, e ao vencer uma prova resolvi passear de kart pelas avenidas e fui atropelado por uma Scania azul bem onde não deveria…
— Que trágico.
— É!
Báiquel parecia se enturmar com o velho, o fazia contar suas histórias, o velho só queria contar casos, ter um confidente, e assim foi com Báiquel.
— Sabe de meu irmão? — Perguntou.
— O grandalhão revoltado?
— Sim, sabe onde o colocaram?
— Ele está na solitária!
— Mas, como aconteceu isso?
— O diretor o chamou para conhecer sua história, saber de seu crime, o fez em sua sala e o grandalhão urinou em sua perna.
— Nossa… Isso é de família.
Báiquel abandonou o velho, sem olhar para trás, precisava conhecer os outros prisioneiros. Passou a observar, sentou-se numa nova arquibancada e começou a tirar um prego enferrujado de um dos bancos.
— Ei, garanhãozinho, esse prego não lhe pertence. — Gritou um sujeito com pinta de tarado.
— Hein?
— Isso mesmo, você não está em sua casa, devolve isso agora… A menos que eu e você… — E sussurrou algo em seu ouvido.
— Credo! Seu porco nojento! Nunca serei!
— Então larga esse prego, acabou de arrumar um inimigo, seu merdinha! — Gritou a bicha revoltada.
Báiquel já entendia que precisava ter cuidado, sabia que já tinha um inimigo e não precisava imediatamente se integrar a um grupo que o defendesse.
Encontrou um boliviano, seu nome era Azúcar.
— Ei, maricón! Que pasa?— Gritou o mexicano.
— Então, velho, conhece Dingou Béus?
— Dingou quem? — Indagou o mexicano, agora quase sem sotaque.
— Meu irmão, o grandalhão que trouxeram para cá esses dias.
— Sim, sim, vai passar um bom tempo, ele estragou o terno do diretor. Creo que la urina dele és ácida…
— Se me ajudar a fugir com ele daqui, te tiro também, Azúcar. Opção sua.
— Por que yo aceitaria sua proposta se vou para casa em uma semana?
— Por dinheiro, meu amigo!
— Quanto vai me pagar?
— Eu não vou te pagar nada! Mas, se sair uma semana antes poderá começar a trabalhar e ganhará mais dinheiro do que se sair em uma semana.
— Que argumento estúpido, maricón.
— Tem razão, você não tem motivos para me ajudar…
— Pelo contrário, hermano, não tenho mais família, não tenho mierda nenhuma mais, só posso lhe dizer que quero aproveitar ao máximo minha vida e curtir a adrenalina ao máximo. Se precisava de um parceiro, você acabou de arrumar um.
— Obrigado, vou caçar mais alguns para me ajudar.
— Espera, usted não conhece todo mundo aqui dentro, pode acabar se estrepando se não fizer as coisas direito… Se usted conseguir conquistar a confiança de Alcaçuz, você está feito, consegue a confiança de todos.
— Sei disso, sei o que estou fazendo aqui, e sei algo para poder usar em chantagem com Alcaçuz.
Partiu com seu novo amigo Azúcar para um lugar mais distante do espaço livre que tinham e rumaram para o refeitório onde Báiquel avistou instantaneamente Alcaçuz e mesmo acompanhado de dois grandalhões deu um tapa na mesa mirando os olhos do alvo.
— Quero falar com você.
— E quem você pensa que é, seu monte de merda?! — Gritou um dos guarda-costas do poderoso homem.
— O que você quer, veadinho? — Perguntou Alcaçuz, com uma voz sutil.
— Preciso falar com você, sei de algo que talvez você não goste muito.
— Sabe o que, seu lixo? Especulações sobre ações?
— É sobre uma cueca vermelha com bolinhas azuis…
Imediatamente ordenou que seus guarda-costas se retirassem do local, pediu discrição a Báiquel e rumaram para o canto do refeitório, já vazio.
— Seu merda! Como soube disso?
— Não precisa negar, Alcaçuz, você é um veado, conheci sua história, que quer que aconteça? Que eu conte tudo a todos? Que você é uma bicha enrustida? Que não é homem o suficiente para sair do armário?
— O que quer de mim, seu merda?
— Simples, vou fugir da cadeia com meu irmão, e preciso de um fusca para nos retirar da cadeia.
— Gostei do plano, vou pensar, amanhã esteja na oficina neste mesmo horário.
Encerrou-se a conversa, brevemente, Báiquel rumava para sua cela, onde surpreendentemente Azúcar era seu companheiro de grade.
— Azúcar?
— Maricón!
Conversaram um pouco e Báiquel resolveu dormir… Afinal, parte de seu plano de conhecer os detentos estava dando certo, só o repouso lhe faltava.
No próximo capítulo – Chantagem e sangue
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